31 de dezembro de 2010

Roda Gigante




Por fim, quase como uma volta no ar.
Quase como andar e andar
e retornar ao mesmo lugar.
Mas o nosso segredo,
que precisamos guardar,
é que a Terra nunca vai girar
sobre a mesma linha imaginária.
Pode até oscilar por uma mesma área,
mas nunca será igual a antes.
Só assim podemos ser tão inconstantes,
e ter uma nova chance
para andar na Roda Gigante.


Vamos de novo!? Feliz 2011!!

27 de dezembro de 2010

Corre Louco!

Corre, louco! as tuas palavras serão meus novos versos. Corre com as tuas pernas largas, esticando os músculos rígidos da velocidade.

Atiça as fibras da sua VARIEDADE, e relampeja um novo alicerce para os nossos últimos afazeres do dia. Corre! Traz nas tuas notas a energia dos amores inacabados. Entrega aqueles últimos toques aos distúrbios nucleares do Sol que EXISTE dentro do teu tórax destemido. Incendeia os últimos palitos de fósforo que sobraram da lareira de casa.


Divida-se com a TUA MAis AMAdA companhia. Alegria. Acima do infinito inteiro, diante de todos os desaconchegos retalhados da estrada, há uma anestesia nesses olhos que me fitam de longe.

Invade o comportamento sutil das palavras até que liberte, até que ao menos uma pura gota inerte saia de motivações sonoras.


Incentiva a derradeira onda de pensamentos que te envolvem agora. NÃO DEMORA! NÃo tarde o último olhar pois logo logo o presente se desmorona em passado até

desintegrar.

20 de dezembro de 2010

O Corte

Se satisfaça com o ar que entra pelas narinas abertas,

e desaperta a garganta rasgada de susto.

Atente para os próximos cliques

do relógio dos momentos presentes.

Assim que calar,

sussurre invisível no ouvido

dos que te amam,

Instale uma velha idéia em suas cabeças,

Faça os inclinar para o lado e ter calafrios.

Se o inesperado te corta nas bases da laringe!

Garanto-lhe de que a vida

te dará mais tempo para entendê-la.

11 de dezembro de 2010

A GOTA



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29 de novembro de 2010

... Camadas .

É transformando que se encontra por dentro e por fora
as diversas peles em camadas que nos revestem.

Assim que se obtém o acesso, um caminho para novos fluxos se abre
recompondo o resto dos tempos passados, fazendo valer a pena
a calma
a espera
a insistência.


Relendo-se
nos pés vai achar um livro dos desejos antigos das conversas vividas,
A cabeça gira sobre todo o eixo e pára diagonal ao espelho das unhas dos dedos.

Temos esse corpo, como máquina de conectar mundos, e a mente como software mutável de interpretação ultraveloz.
Temos o todo que somos se manifestando através das imagens que recebemos em troca.
Do que impera lá fora.


O todo é interno a ti.
Para além, há o desconhecido, metafísico,
indecifrável para as pupilas humanas.

25 de novembro de 2010

Te queimas por dentro?


Não é o tempo que se desconectou em chamas. É o fingimento morando em cada um que engana. Ensinam o que é humanidade, o que é igualdade, o que é amor. Mas ensinam de maneira hipócrita, falam e não fazem exemplo. Não foi vivenciado por dentro.


Parece que o ar sai da boca só pra fazer pequenas turbulências do lado de fora, enquanto por dentro fica ausência. Carência que vira medo, que vira raiva e sai em forma de rajada de ferro. É que ensinam mas depois esquecem, e seus filhos viram leitores de preces, palavras da boca pra fora. Repetem mecanicamente, soltam no ar. Recuam os olhos e escurecem.

21 de novembro de 2010

A História do Homem que ouve Mozart e da Moça do lado que Escuta o Homem


É que a natureza corta o ar das coisas, e basta deixá-la seguir seu rumo randômico no momento em que brotam ambientes no espaço. Uma tensão alta tece na ponta das cabeças até que todas se grudem numa respiração conjunta dos 40 corpos presentes. Basta rir-se ardente do vácuo que puxa pela avenida dessa cidade, porque se ninguém te espia ninguém te cala. E aí, quando o mundo abaixar e encaixar por detrás das sobrancelhas, contorce, rola, e afoga o instante de vida primeira. O que desmorona por fora embaça o olhar de dentro, conexão do tempo que fulge nas corolas molhadas pelos relógios de água, e que abastece o mar de impulsos curtos instantâneos e intensos.


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Depois de uma Peça que urge próximo ao arcos da lapa.

Vale a pena ver. E absorver-se de algo realmente Humano.


http://espacocenico.wordpress.com/2010/10/28/a-historia-do-homem-que-ouve-mozart-e-da-moca-do-lado-que-escuta-o-homem/



4 de novembro de 2010

Eletroalma

Contribuindo para essa consistência,

é quando o resto se desfaz em essência.

A cadência reverberada da carga

agita o canto da alma

numa superfície equipotencial,

induzindo o campo externo

a ser diferente do ideal.


Porém, o que há por dentro

n u n c a s e a b a l a,

a não ser que cavem

e ali instalem outra fonte.


Fonte pulsante.


Carrega consigo

o eletromagnetismo

desse instante.

2 de novembro de 2010

Fios Cruzados

Curto circuito enquanto tecia as falas dos últimos sentimentos, por ele. Disfunção dos vértices do espaço-tempo, a curva de luz insistia em abrir caminho pra dentro, distante ofuscava a cabeça aguda do moleque de rua. Ele andava esguio e torto para o lado esquerdo, girava os dois braços ao mesmo tempo quando sentia medo, abria a boca e apareciam dentes fortes de um vampiro escravo. Um desespero no menino alado.

Enquanto isso eu abria os cadernos, apagava os vestígios do antigo amor-feto, balbuciava as conversas de cabeceiras virtuais, me condenava incapaz. O menino era tão torto, que sua tortura me fazia doer o dorso, curvei-me para a direita enquanto o observava e, por sua vez, o caderno apoiado na janela escorregou, foi parar lá no outro lado do terreno em cima do muro. A quina do meu grito virou um canto arredondado, era bocejo de preguiça por aquele descuido que veio do menino alado. Talvez buscar.

Talvez para sempre ficar em cima, no meio, sem atitude e perplexa como sempre foi, antes. E encarar a imagem como um desafio para meus próprios erros era tolo, infantil. A rua já não tinha o menino. A chuva fina começava a cair. Os novelos de lã estavam inundando a sala com suas mil cores e linhas. Era tempo de solidão em meio a uma concentração rala, e os fios de novelos voltavam a se unir numa sensação tricô, positivo com positivo até o fim do dia.

25 de outubro de 2010

:::diluindo:::

Sumiu do mundo das palavras e desencadeou um sono profundo dentro do meu olhar. Visões periféricas se projetaram nas faces de dentro do meu crânio. Uma projeção demais imperfeita que falava o que eu queria ouvir, brincava de ser a parte de mim vazia de ti. Sou eu que controlo esse filme. Esses impulsos feitos de massa cinza e molhada carregam as necessidades impressas no centro da vida.

Desapareceu do mundo das idéias e virou matéria escura pintada pelas paredes da amargura. Veste terno cinza claro e desce pela escada de emergência, és pura ausência dentro de um corpo velho. Vou pra longe em desespero. Não nego que fiz de ti uma mina sem dinheiro, agora sou seca. Murcha. E canto firme nos bailes de corpo inteiro. Veja como posso ser forte, veja como posso ser só.

11 de outubro de 2010

A RETA

A linha reta entre um olho e outro é feita de tensão ressonante,
batimento de sensação cardíaca conflitante
e simultaneamente consoladora.


Console-se através da ponte firme
nesta transmissão volátil.
A cada acaso, o contato
entre a unha e a mão,
a ponta dos dedos e o chão
é um disforme sorriso.
A cadência arrítimica dos cílios
empurra uma respiração curta
até o ápice,
desnudando tua fingida face.
Amparo sólido e solo
encosta leve sobre o meu colo,
acaricia sem deixar tocar
e dispersa sem dialogar.
O único desperdício desse vício
é implantar a desculpa no receio
e viver a alimentar
as superfícies instáveis
do nosso meio.


6 de outubro de 2010

OZ

Cansada de me esquivar dos apegos

desses queridos e dóceis

meninos do vento.


Suas vorazes almas sopradas e repentinas

relutam em me carregar,

em arrancar pedaços.


Ágil, esquivo-me, enfraqueço, canso.



Assim, quando for me chamar de novo. Os olhos atentos buscam o piscar. As luzes da telinha. O nome escrito nela. A respiração presa. As janelas vão se abrindo e as paredes vão sendo arrancadas. Sobra do quarto o quarto. A cama ainda ilesa dorme sobre o chão que gira. Turbilhão de imagens. Grossa areia atinge o teto que se vai e despedaça. Sobra do quarto o quarto. Segura na cama e dorme! Aquela laje flutuante.



Um furacão entorpecente.

O organismo.


Sobra do quarto

o que havia de mim.

19 de setembro de 2010

balada da menina instável

Sou o corpo.

Gozo do estado de ser.

Repudio o alheio,

tremo a medida que

a existência preenche

as bolsas do pensamento.


Cavo fundo no ânimo estado

no humor fatídico, e todas

suas nuances são resultado

da vida aqui, sendo.


Constato o corpo o fato

ao olhar pelas janelas

ao respirar e sentir o sentimento

das coisas transpirando em sua essência.


Sou o corpo.

Gozo do estado de ser.

Mas, porém,

há o além de mim

sobrevoando

querendo dizer

que além

é melhor

que aqui

preciso partir?

15 de setembro de 2010

Relendo-se no conflito instante...

É nessas horas que um descaso vem de sua jornada originada no fim do mundo, e se encontra com você. O corpo balança e recupera e perde a esperança a confiança nas imagens que os outros te entregam. Os olhos começam a olhar para os pés e indagam as coisas. Belas e velhas coisas. Regurgitadas nas roupas após um banho quente e indiferente. Dê o comando de pause. Olha pra cima, porque há algo ali. Olha para os olhos dos outros. Eles também te vêem. Você ainda faz parte disso que chamamos de Terra, ainda respira o ar gerado pelas folhas dela. E mais do que isso. Você sente tudo ao mesmo tempo, vê, cheira, ouve. O que falta? Parar de enxergar o corpo como um cárcere, ou parar de pensar na casa cheia de quartos que tu és? Convoca-te a um planejamento e percebes que ainda não aprendeu a planejar a casa. Mas são tantos quartos! Tantas farsas, tantos óbvios desvios da essência! Se continuar fosse fácil, todos seriam felizes consigo mesmo. Apressa-te em teu afogamento, deixe que ele passe em claro. Olha bem pra suas anormalidades. Convida os olhares dos outros para uma dança no parque, e nesse lugar você não será mais casa, nem paredes, nem quartos, somente um grande imenso ser. Não vê não cheira não ouve. Puro e simples estado de ser. Como uma pedra, que é. Deixa estar por pouco muito pouco tempo, pois o resto move o resto é além de um estado estático. Você pára. Recupera, re-existe. Depois. Corre!

6 de setembro de 2010

DESCONTINUIDADES - Video Poesia



Se o teu impulso
nasce no caos do cérebro,
Conecta bem tuas sinapses.
Reverbera o elétrico som
neural faminto de mundo,
E caçoa de seus artifícios
Ri deles até que esquentem
as cavidades.

Recupera, energiza
vacila em microssegundos
Até que esgote a ânsia
de ser gente
Ser gente

Por mais
um...

Contrai, extende e puxa
o cordão umbilical,
dele vai nascer
um universo
multidimensional.

Contribui,
o som vai escapar
das narinas, e você
nem vai perceber
onde ele pode
chegar.

Gagueja e enrola a língua nos dentes
controla o impulso que não é mais
sua mente.
Ele é ação de vício,
o claro vazio do abismo,
o lugar onde não se chega
nem por mil solstícios.

Treme as mãos
Incessantemente
até poder cansar
e esquecer de ser
gente.

Só por um instante,
cérebro de infante.

Só por um ...

31 de agosto de 2010

giGANte

Concordo ser firme. Ilesa aos suspiros do gigante mudo. Ele acaricia e desconta seu medo, sua vaidade, na minha desesperança a respeito do mundo. Os sentidos já se foram, as órbitas já estão em ressonância, os círculos viraram elipses e o que sobrou de mim foi uma casca desencontrada, fraturas indispostas ao conserto. Concerto dos ruídos da noite. Sou o completo caos tremendo de medo. Esperando o bote. Pronta para usar o reflexo que nunca tive. Reconforto-me no leito. Espero. Leio. Falo alto e canto. Será que ainda sou eu de volta? talvez tenha ido para nunca mais voltar. Concentro-me firme. Ilesa aos suspiros do gigante mudo.

30 de julho de 2010

girando ... girando ... girando

Fui correndo de branco, branca reluzindo invisível . Escutando o inóspito som das paredes ocas do ônibus. Era manhã. Era claro. Era insano perceber que mais uma madrugada em claro tinha se passado e mais um vazio em cima da cama. Fofa. Santa. Sento relaxando as costas sobre o travesseiro, a cabeça na parede. O brilho que vinha da janela. O Sol. Pensamentos.

Poderia eu ser cruel comigo a ponto de enganar-me. A ponto de dizer que tudo vai dar certo mesmo tendo receios. O Futuro está rondando inerte, não pode fazer pelo presente, mas pode atiçar o ânimo. Euforia. Ansiedade. Vômito. Desajustando os relógios e esquecendo os compromissos. Relendo e-mails, cogitando dormir até às sete horas da manhã do dia seguinte, só pra parecer trabalhadora. Levantando cedo, indo pra academia, disposição, satisfação. Responder e-mails, dar satisfação, movimentar o que andava mudo, produzir, produzir, extrair, contribuir.

Diluindo o leite na água, deixando o fio branco penetrar pelo copo, como uma bandeira de paz permeando aquela multidão de moléculas vorazes por agitação. Agitação que torna a incitar a alma. Vem a culpa, desejo de se cortar ao meio e ser metade em cada lado do mundo, da escolha. Porém, se fosse sempre metade arte, metade matemática, nunca seria de fato completa, de fato invasiva enquanto falo sobre meus sentimentos. Sentimentos não te incomodam, te nutrem, te transformam. Converter sentimento vadio em notas de música, de amor é além da razão.

Estou acomodada ao acaso, a sorte de olhar aberto e acalentar os olhos nos olhos de outras pessoas. Apesar de criativos, apesar de históricos, apesar artistas, ainda somos carne, somos osso. Disso nunca poderemos esquecer.

27 de julho de 2010

NOITE

ME APAIXONEI PELA NOITE

EM TROCA RECEBI BOCEJOS

SORRISOS OLHOS CONFISSÕES

APLAUSOS CORES


REVIVI NO SEU NEGRO, UM VAZIO

PELA MADRUGADA IRRESPONSÁVEL.

CONFESSO QUE TE PROCUREI

MAS NÃO ENCONTREI

ACHEI O OPOSTO DO ÓDIO

OS GRACEJOS DO AMOR

A BEBIDA SEMPRE INCORRUPTÍVEL

O LAÇO QUE PODE UNIR TODOS

EM UM FECHAR DE OLHOS


NÃO DORMIR É UMA BENÇÃO!

TORNA MAIS NOTÁVEL VIVER

DUPLICA O MUNDO

RENASCE O QUE ERA

SONHO


COMO SOMOS MESMOS PREGUIÇOSOS!

QUEREMOS DORMIR TANTO

SUFOCANDO O TEMPO MÁGICO

TEMPO QUE DURA UMA LUA INTEIRA

UMA MENINA BRINCANDO DE PERAMBULAR


SONHAMOS SER FORTES

ENFRENTAS OS RAIOS DE SOL

VER SOB A CLARIDADE

RESPIRAR DIA A DIA

PORÉM, O QUE SOMOS

MESMO É NOITE


ESCUROS, CALMOS E MOMENTÂNEOS.


22 de julho de 2010

INCONTROLÁVEL

Um constante de ultrapassagens e rotas perigosas Um medo incessante do futuro uma energia interminável pronta para agir sobre o impossível Ser único bivalente bipolar tricampeão despedaçado e espalhado pelos ambientes habitados do mundo

Iludir-se é completamente tangível e abominado por esse olfato visionário ensurdecedor Contraria a idéia de liberdade desperta a questão de ser uma sociedade Embrulha o estômago vomita empurra pra cima a dor Não entender o que somos é pior do que não entender o porquê de estar aqui Identidade infiel do apego vulnerável ao desprezo do outro Corroer da pele correndo pelo pescoço até o ouvido

Queima forte sentir-se incapaz de decidir mais do que já foi possível Arde incontrolavel a paz do cômodo tão indisciplinadamente parado branco ausente de vontade para continuar Ausente de atitude para compartilhar Alheio a qualquer sentimento humano que não supere o seu próprio sentimento de ser vivo sem poder desfrutar a liberdade que reside no entremundos emcimadomuro nomeiodocaminho Grudar-se ao que é insano soa mais comum mais atraente e mais acolhedor Agregar-se ao incompreensível pálido lado esquecido pelo mundo e por nós mesmos é um ideal poético e romântico

Não nos deixeis cair em tentação

8 de julho de 2010

Impasse

Eu decido gostar de ti
Tu decides gostar de mim
E assim ficamos
estáticos
cara a cara

Sem a coragem pra dizer qualquer palavra
Como se qualquer erro fosse desmanchar
Isso, agora, existindo

Te entendo e não me entendes
Um zig zag de olhares
em uma multidão insone
Quem é você?
Porque eu ainda não sei.

Vai!
Desliza teu olhar pra frente.
Vai!
Rompe a barreira do medo.
Gargalha, por favor!
Diz o que vier a cabeça
E acredita que estou disposta a ti!

Sei que meus versos
Não passam de papel,
Não saem do plano da palavra.
Virtual. Abstrato. Incompreensível.
Te peço ação,
embora tenha dado tinta.

O erro é deixar que ele nos guie,
Ele molda o nosso não agir
Mantém a vontade imune de um toque
Ele é maior que nós mesmos

O Impasse.
Impedindo que a gente nunca se ultrapasse
Porém, com o tempo
Vem a velha indiferença
E um novo menino a me olhar distante
Ele se aproxima, diz que podemos ser amantes.
Eu aceito.

E você?
O que foi?

26 de junho de 2010

Gatos

Ele deve pensar, por que ela passa tanto tempo em frente a esse retângulo luminoso? Ele me olha como se implorasse por vida. Ele está aqui, vivendo intensamente, tanto que cada pedaço de corda é como um parque de diversões, os papeis viram seus melhores amigos, qualquer movimento traz energia. Eu tenho inveja disso.
Eu devo pensar, por que ele consegue ser assim tão leve enquanto eu busco entreter-me com luzes cores e letras? Ele não precisa de cores, nem letras. Seu tempo é irrelevante. Eu concluo que não fui eu quem decidiu buscá-lo na casa de uns amigos, foi ele que decidiu me encantar com seu carinho por seres humanos.
Eu devo me perguntar, por que quando fixo em seus olhos ainda sinto mais forte esse surreal? Dos braços até as pernas me transporto com um pensamento. Tenho cinquenta e cinco quilos, e só preciso de pensamento pra me mover, e só preciso de vontade pra fazer minha matéria estática ser transiente.

O mais simples exemplo do encontro entre o abstrato e o concreto.

Ele é concreto e abstrato, posso ousar dizer, mais concreto do que abstrato.
Eu sou mais abstrata do que concreta, muitas vezes me esqueço do ser concreto.
Ele está aqui do meu lado me mostrando um outro caminho, um outro sentido, uma nova perspectiva.

E eu aqui me preocupando em concretizar minhas abstrações, pra me reafirmar através dessa tela.
Enquanto ele me concretiza todo um mundo.
Sem cores e nem ao menos uma palavra.

6 de junho de 2010

Somos assim, um constante de ultrapassagens e rotas perigosas. Essa poesia-música, como muitas outras, vem fechar um ciclo.
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Ser Humano


Confesso agora ter que falar
como se fosse uma solução pr'os meus anseios
Embora eu não consiga mais querer
Te vejo numa Humanidade
Um castigo para um crime que não desvendei

Essa força-mútua me constrói
Driblando um velho indício que me dói
Te vejo Humanidade imensa
Aquele vício virou uma lenda

Confesso ter que insistir
Em dizer que não o vejo como antes
Eu venho pra sorrir e te dizer
“Eu sei ultrapassar limites
Logo vou chegar tão alto quanto você.”

O tempo me mostrou

pra cada tempo existe um estado
um desejo, uma força, um motivo pra ficar acordado
existe um mundo pra criar, transferência de dados
A cada dia cada passo

Essa Humanidade Absurda
Habita-te
Habita-me
Se tornou um motivo pra sonhar e dizer:
“Eu posso superar etapas.
Logo vou ser tão concreta quanto você.”

Ser e ser: ser Humano.

16 de maio de 2010

Nova Família

Quando eu percebo que os amigos novos já viraram amigos antigos
E quando me encontro completamente à vontade em lugares como este
A toda volta alguém que conheci, se não conheci logo conhecerei
E se não conhecer sei que você é amigo de um amigo
Como uma tia do primo, que já chamo de tia

E quando eu percebo que posso sair por aí
Olhando amplo para o aflorar da Arte
Eu vou fitar a cantora, a atriz, o músico
Eu direi: “Ele é da minha família!”
Quando o show acabar
Trocaremos idéias, figurinhas, histórias
Cultura

Quando eu percebo que a essência da minha vida
Se encontra na vida de outros
eu re-afirmo, re-concluo,
Essa família há de crescer!
Um dia seremos só um!
Como um grande nó cego!
Algo que ninguém desfaz!
Nem mesmo um grande ego.

15 de maio de 2010

Como se suporta o cheiro?

Fico feliz em perceber o quanto as coisas podem ser dinâmicas, e quanto tudo me parece cada vez mais co-nectado, conecta-do, conec-tado. Isso poderia me gerar uma outra postagem, mas vamos parar por aqui e descobrir o que eu encontrei em cadernos do ano passado. Palavras que flutuavam a espera de alguns leitores e de algumas conclusões.

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Ela podia reproduzir o cheiro com seu próprio nariz, como se ainda pudesse estar lá. Era o calor e o suor que ocupavam aquele quarto escuro. Ela não tinha uma boa lembrança, na verdade, só lembrava o cheiro e nada mais. Por que estivera ali, ou quem suava, não eram perguntas com claras respostas.
Mesmo assim ela ia, ia. Aquele cheiro voltava em muito momentos para preencher o vazio ou sufocar o acúmulo. O excesso.
O cheiro começou a fazer parte de seu dia a dia, quando se sentia triste, lá estava ele. Quando se sentia feliz pudera ela seti-lo ao fundo, como uma canção sem notas, porém, sensações. A canção que só ela ouvia.
Encantada com a possibilidade de espalhar essa experiência, ela começou a espalhar pelos sete mares o que lhe passava. Quem sabe alguém pudesse ajudá-la a entender. Muitas pessoas, adimiradas, começaram a buscar esse tal fenômeno em suas vidas. Eles queria essa nova dimensão como lamentar com cheiro de ketchup! Beijar com cheiro de álcool! O caso virou tendência, moda. E todos passaram a ganhar cheiros em suas vidas, para cada momento um cheiro sem razão.

Quando, enfim, eles entenderam.

O cheiro é o rastro que eu deixo quando não entendo.
Quando o grito aumenta até arranhar a minha garganta
Quando não consigo mais pensar em nada.
O cheiro é a parte de mim que não quer ir embora
E implora pra eu, por favor, voltar para mim mesma
Se eu não quiser, que pelo menos eu seja forte o suficiente pra gritar e dizer:
"SAI!!"

Depois que descobriram, perceberam que o cheiro era um pedaço apodrecido de seu próprio corpo, ou o perfume que sem perceber usamos todos os dias. Esse cheiro, é o vício que querer encontrar no que é novo aquilo ao que já estamos acostumados a interpretar.
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9 de abril de 2010

Parque das Imagens



Quero que suas roupas me devorem
Quero que entenda
o que eu tenho pra falar
Então por que será que ela corre?

Bicicleta, pedalar seu rosto vai
Bicicleta, pedalar seu rosto vai

E aí, a musa mais bela vem
Sorrir pr'aquele que nada tem
Detonando a força que resta
Retomando a dor que infesta
Fome feia e dura a fez
Louca

Imagem a vagar neste deserto
Os pássaros sustentam seu penar
Por mais que não entenda
O seu mundo eu vou mostrar
O seu resignar é o que me move

Bicicleta, pedalar meu rosto vai
Bicicleta, pedalar meu rosto vai

E aí, a musa mais bela vem
Sorrir pr'aquele que nada tem
Detonando a força que resta
Retomando a dor que infesta
Fome feia e dura a fez
Louca

(música resultante do Post: Princesa da Grama)

5 de abril de 2010

NovoCanto

Ler coisas que eu mesma escrevi
Ler tudo aquilo que muito senti
Ler todo o vão que se alimenta em mim
Entender o mundo que se fez assim:

Ouvir da vida que me fez feliz
Gritar pra fora o que matou de rir
Fugir do agora pra encontrar a mim
Amar o tempo pra sonhar com fé
Seguir a vida mesmo sendo a pé
Focar no medo até ele ir pra longe
Pensar na vida, isso me faz distante.

Eu busco mesmo encontrar o caminho
Fio da meada que me traga o linho
Pra costurar até formar um blues
E espantar o amor que não tem luz
Um velho canto sem medo propus:

Viver e ler aquilo que escrevi
Tentar aquilo que eu não escolhi
Olhar pros lados escolher o ponto
O meu desconto é ser um novo canto
Ou tudo aquilo que eu nunca fui.

1 de abril de 2010

Vai deixando na gente...

É justamente o que o resquício do tempo vai deixando na gente, é justamente o que o mundo deixa sobre o nosso mundo de possibilidade. É a vida te avisando que falta alguma coisa pra ela ser mais bem vivida, bem amada, querida.
E a rotina vai te mostrando, cada vez mais, ser inútil lutar contra ela, porque a disciplina, essa sim é capaz de trazer o fruto do seu esforço vir a tona. E como tornar esse fruto comestível, saboroso, se a rotina usada para trazê-lo é insípida disforme, desconexa.
Por que toda vez que eu penso ter encontrado a saída me vejo saindo de uma porta que dá para outro labirinto? É como se precisássemos de muitos labirintos até encontrar a tal da maturidade, ou aquele momento em que as pessoas mais velhas te vêem como um adulto, e não mais como um garotinho.
É justamente o que o resquício do tempo vai deixando na gente. Um mar, ondas que te arrastam, tiram um pouco do seu humor, o leva para longe. É justamente o que a juventude deixa dentro dos olhos de uma criança. A alegria de ser jovem somada a dúvida do que está por vir. A esperança de que o mundo está em rumo ao equilíbrio, o desespero de não saber o que fazer para ajudar.
É justamente o que o resquício do tempo vai deixando na gente. O medo de tornar-se algo tão mais diferente, a ponto de não haver mais nenhuma esperança. Ou até, talvez, mais nada.

20 de março de 2010

A M O R D E D O R

Quero um amor de dor eterna,
Você aceita?
O jogo consiste em nos amarmos profundamente,
Mas nunca haverá um beijo
Talvez nem sequer um toque.
Quando estivermos a sós,
Você dirá que precisa partir.
E quando esse momento voltar,
Eu direi que tenho compromissos.
Inventaremos problemas sem soluções,
Criaremos pessoas que não existem,
Tal um caso, um marido, namorada.
Porém nunca deixaremos de desejar um ao outro.
Nunca deixaremos de trocar sorrisos envergonhados,
Nunca deixaremos de ser a história de amor mais bonita,
Pois bonito é o amor que não se consome.
Bonita é a tristeza que existe no olhar de dois apaixonados.

Você aceita ser meu par?
Porque assim seremos eternos poetas.
Num momento de esgotamento
Lembraremos um do outro
E então escreveremos.
Seremos eternos poetas!
E essa dor, esse suspiro. Vai permaner na alma.
Vai acalentar nossos espíritos,
Nossos livros serão aclamados,
Todo esse profundo da alma humana
Vai florescer em mim e em você.
Só preciso de um acordo.

Me olhe, me dê um olhar!
Vamos estou aqui parada pronta pros seus olhos.
A principal regra desse jogo:
Nunca me diga quem você é,
Nunca me diga que aceitou meu pedido,
A dor por não saber quem é você,
O confuso de amar sem ao menos acertar.
Nunca me diga quem é você.
E então, aceita ser meu par?

16 de fevereiro de 2010

Princesa da Grama

Então eu passava por ali, em busca de uma paisagem, de um trecho de história, algo que pudesse ser explorado pelos detectores da máquina. Ali era um mar de grama e árvores, um gramado sereno que acalmava a vida de quem anda em um parque. Parque. Marque. Baque.
E aquela senhora que distribuía alguma coisa para os pássaros que a circundavam. Não eram apenas pássaros, eram amigos de estrada, pessoas que dividiam a realeza a realidade que era aquela mulher.

Um punhado de roupas, um dia ensolarado
Graças ao bom Deus, ele a poupou da chuva e do frio.
Tinha árvore para fazer sombra, um vazio.

E assim chego e não aguento, tiro da mochila a camera.
Quero guardar o sentimento.
Então ela se invoca, diz que vou ganhar dinheiro com aquilo, as custas dela.
Resmunga, resmunga, resmunga e resmunga.
"Sou princesa, sabia? Quer que eu mostre os documentos?"
Me espanto, me surpreendo, me encanto.
"Não precisa!", grito.
"Eu já sabia que você é uma princesa."
E aquela frase a engloba, pega seu ego e transforma numa tocha.
Ela é princesa e todos sabem disso, todos dizem que ela é uma princesa.
Pergunte a mim, eu direi que sim. Pergunte só a mim.

Veio uma risada envolvente, uma alegria, um grito que contagia e que me fez transbordar de incomodo. Ela é mendiga, e não há quem não diga. Aquele universo onírico me faz acordar. Eu acordo desse coma induzido pelas belezas das paisagens do parque.

"Já que você sabia que eu sou a princesa. Porque não trouxe um sanduíche pra ela? A princesa tá com fome."

Um alvoroço. Estranho, eu quis até vomitar.
Essa sensação que me ofega.
Sou eu justa por tirar dela a alma e por transformar no meu trabalho-arte ?
O que afinal é arte?
Sei que por toda parte, o que eu vejo é arte.
Essa mendiga no parque
A princesa da grama
Fez hoje da minha imagem
mais do que um simples drama.

Princesa da Grama

20 de janeiro de 2010

E L A

Rafaela insistia que sua vida pudesse ser levada pelos sonhos, sonhava com o dia seguinte. Tudo de mais especial que fosse acontecer aparecia em seus sonhos, como se ela própria pudesse assistir a sua vida todas as noites. Era um filme muito bonito, as vezes em sépia, P&B, supersaturado, pornô. Sua insistência era tão insistente, que toda vez que sonhava fazia questão de repetir igualzinho ao que já havia assistido.
Os sonhos são movidos pela loucura, aquela não expandida pra fora do real. Um simples desejo repentino durante o dia pode determinar um sonho, e assim sonhamos com pessoas que se transformam em outras, com uma morte surpreendente, ou um fim inexperado. Sonhamos com o que se teme e o que se ama, dois opostos que se combinam e que formam algo simplesmente cruel, ou doce demais.
A loucura dominava aquela vida, pertubava quem a conhecia, animava aqueles que se amam numa noite estrelada. Os dias eram aleatórios demais, sempre um acontecimento surpreendente, uma noite bem dormida, e fofocas para se contar sobre ela. Uma festa em um ônibus. Correr em cima dos trens a meia noite, andar descalço nas ruas na cidade imunda, tomar um banho e não usar toalhas.
Fazer dos seus sonhos reais tornava Manuela uma das mais faladas por onde passava: "Viu o que aquela garota fez! Se atirou da árvore, caiu em cima de um galho, tiveram que levava para o hospital nos braços." E naquele sonho em que ele corria, e o vento batia no rosto de Gabriela, assustada, ela abraçava o pescoço e dizia a ele muito obrigada por tentar salvar sua vida.
No hospital sonhara com o maior de seus medos, morrer. Pensou que aquilo teria de acontecer, já não mais por causa dela, mas porque não havia mais distinção entre sonho e realidade, era tudo uma questão de espera.
Na espera pelo momento ela parada olhando pro teto do quarto, e o teto olhava para ela. Todos aqueles sonhos passavam rápido pela zona de filmes do seu cérebro, como se na evolução de sua vida ela já pudesse projetá-los na parede. E ela ria, ria e ria:"É uma questão de espera!", gritou, aquele grito ecoou pelos corredores brancos do hospital. Um desejo enorme. Decidiu não aceitar a morte, e finalmente parar de sonhar. Levantou da cama, correu até o fim do corredor. Abriu a porta que dava para a saída do hospital, era tudo sépia, era tudo preto e branco, era pornô, era tarde demais.