13 de outubro de 2009

19

Assisti nas semanas passadas peças de 20 anos do companias teatrais brasileiras, entre elas: Armazem Cia. de Teatro, Compania do Atores, Galpão, entre outras.

Estranho pensar que são 20 anos de Compania. Cada um com seus trinta, quarenta, ou mais em anos de idade, dedicaram suas vidas durante mais do que vinte anos para fazer um teatro que não exagera em imitações, e se limita a mostrar palavra por palavra para compor qualquer sentido que passe pela cabeça de um ouvinte. Movimentação marcada, partitura de ações fidelíssima, tudo para expressar e viver um momento que para eles é mais que rotina, e para nós tão particular e incomum.
É como uma mensagem que se arrastando mostra que se pode fazer muito com pouco tempo, e simultaneamente, que para ser muito, precisa-se de muito tempo . Se você estiver de pernas pro ar nada acontece.
"Quero virar um astro rápido!IUUPI!", diz o menino sonhador, "Põem seu nome numa estrela!! Mas não garanto reconhecimento!", responde o velhinho sábio. Um cocô de pombo pode cair na sua cabeça, mas dinheiro e sucesso nunca.
20 anos é mais do que eu viva, e é um terço da idade do meu pai, contraditório.
Muito ou pouco, não sei.
Um engenheiro x : passa vinte anos dentro de seu escritório, idealizando algo que concretiza. Estuda, cadeira, livro, faculdade, estágio, promoção no emprego, 3.000 reais, 4.000 reais, 20.000 reais, e cresce, cresce a medida que sua experiência se afirma diante daqueles considerados medíocres. Ele passa vinte anos de sua vida, aperfeiçoando sua própria técnica de acumular: cargos, money, geld, money, cargos, bufunfa...

São 20 anos. E eu tenho 19.
Em vinte anos, quem sabe as coisas evoluem, e como.
Ganhei aquilo que pode se chamar de escolha, "livre" escolha.
Daqui a 20 poderei dizer: "Sei vivenciar algo que parece novo todos os dias.", ou então, "Sei acumular cargos e bufunfa...(lendo repita essas duas palavras 20 vezes)".

3 de outubro de 2009

É nesse ponto da vida :

Estou chegando nesse ponto da vida.

Em que a lógica da lógica do ser humano não faz mais sentido, sabe? É, eu sei que não sabe. Que o príncipio da vida não passa de devaneios da alma, momentos de felicidade, dedicação para viver do que se ama. Que o dinheiro pode ser tudo, e na maioria das vezes nada. Porque pra tirar um sorriso daquele rosto eu não preciso de dinheiro, pra rir da piada mais cafona e gargalhar da história de vida do outro eu não preciso de dinheiro. Para aprender a respeitar as pessoas, eu posso precisar de dinheiro, como educação. Mas respeito por respeito é uma questão de princípios, religiosos ou não religiosos, educacionais ou não, por fim, princípios intuitivos.
Matar não é bom e todo mundo sabe, não preciso da bíblia para saber disso, muito menos do dinheiro. Mas enfim como se vive?
Vi hoje um moço que andava na rua de vagar, devagar, a vagar. Não conseguia subir a rampa de 20 cm da calçada, eu ajudei, perguntei o que precisava. Simplesmente o seu destino era andar o mais longe que pudesse, um questão de 500 m, encostar no objeto mais próximo dormir e talvez ganhar uns trocados de uma alma piedosa. Era o começo de um mendigo, pois ainda falava e reclamava, pois ainda se vestia bem, sem sujeira suficiente. Podia ser meu avô, meu pai, eu. E assim, com uma renda de centavos por dia, como que se vive?
Uma questão de desejo, de vontade, porque eu quero quero quero quero quero! Eu querro ter uma casa, eu quero ter um carro, eu QUERO CONFORTO NA VIDA - é para soar como um grito. Por que você sempre quer algo? Eu quero um conforto nos momentos de tristeza. Eles já me convenceram que a tristeza é um constante da vida, e a felicidade ápices de emoção, acredito na verdade que haja algo ainda não identificado aí no meio, como uma feliteza ou uma tristicidade. Algo que paira pelo meio. Calmo, sereno, algo que permeia nossas vidas por tanto tanto tempo, que somos capazes de denominá-lo felicidade, ou até tristeza, ou nenhum dos dois. Contudo, em meios a uma solitária tristicidade, o conforto, que eu grito, acalma a minha alma.

Um dinheiro para eu poder ter uma cama, uma vida digna.
O resto sou eu mesma quem faz.

24 de setembro de 2009

Neu

Buscar.
E os mais sábios dizem que basta buscar, seguir o caminho, passo a passo rumo ao desconhecido. Como ir a busca de um destino sem saber qual o caminho certo a se tomar? Posso parar nessa pergunta, estagnar, não tentar seguir o caminho da direita, nem o da esquerda, nem o da frente e o de trás. IUUUPIII!
Eu PARO? Só isso? Eu simplesmente canso de buscar e me acomodo no lugar mais cômodo cruzo as pernas, os braços e relaxo, infinitamente.
Ignorar os sábios não parece tão sábio. Ach so gehen wir an, versuchen wir etwas neu, unterhalten, schreiben, schreiben immer schreiben. Und es gibt immer jemand um etwas neu zu sprechen. Decido, não me acomodo ao cômodo, é por demais cômodo, irrita, me faz ofegar , mesmo durante uma aula de "mecânica". E toda essa sensação e atmosfera em volta, te chamando para o que é demais óbvio, mas não completamente aceitável. Procura, revira, volta, chama, grita, pelo amor de Deus alguém tem uma resposta!!?!! A marca da cabeça na parede começou a formar um buraco - contudo não desista - você chora, você grita, você corre, você canta o vento na janela do ônibus, e quando as pessoas andam na rua de mãos dadas é magnífico! Toda essa propriedade que existe em nosso corpo, ele só não se limita a deixar sua voz falar por todo o seu ser; o corpo comunica silenciosamente sua própria opinião das coisas - como se houvesse você dentro de você. E aquilo que não se pode falar com palavras ele fala sem elas. Aquilo que se pergunta ele responde. Um samba, uma bossa, algo suave que chega devagar e te detona por dentro, bienvenue ao resultado, a resposta da sua pergunta, ao esforço do seu trabalho.
Procurando a resposta das mais essenciais perguntas, procurando incessantemente a resposta para cada enigma apresentado pela sua vida, pela sua escolha, pelo seu futuro, procurando vai-se um dia encontrar a solução. Acredite, esse dia chega.
Agora mais do que nunca entendo a diferença do que foi trago por aquilo que me chama.
Finalmente.

18 de setembro de 2009

Crescer

A cima de mim mesma o que vejo é um vasto campo inundado de grama alta e cortante, qualquer lado que cresce em mim encosta no campo, me arranha, me feri. Cada momento de alegria é causa de um de tristeza, pois a alegria mostra que a dúvida mora no prazer da alma. O que me faz completa?
Percebo que ando em um caminho para uma encruzilhada, o que fazer? Esquecer, evoluir até minha completa exaustão. Se meu mundo é preenchido de pensamentos, de miragens do que estar por vir, o que me resta é fazer tudo aquilo em que acredito, aquilo que me respira, que me sulga.
Tentando ir fundo em cada olhar.
Meu medo é deixar que tudo me leve de mais, e que a partir de um certo momento eu não possa mais escolher; medo de não ter escolha, tudo fruto da minha imaturidade.
Imaturidade que mata. Queria ter sessenta anos, ver o mundo como um mar de lembranças que vem e vão, andar cada passo calculado pela minha experiência, escolher cada caminho pela minha memória. Sessenta anos para olhar os jovens com apreciação, para adimirar seu brilho nos olhos fazendo o meu próprio brilhar. Sessenta anos para não mais ter que me decidir sobre o futuro dos meus próximos quarentas, pois tudo é uma consequência dos últimos quarenta já vividos.
Me faço velha querendo ser velha, mas me faço nova querendo fazer do brilho que sou o que serei. O mundo é mesmo feito de contradições, e melhor tê-las do que não tê-las.
Melhor aproveitar cada segundo dessa constante indiferença, buscando a maior das diferenças. Cada passo em busca do novo é uma nova sensação nunca antes vivida, o suspiro acalma a alma e o choro me faz pensar que o mundo pode ser melhor só com as minhas preces, o sono acalma os ânimos, e os sonhos trazem aquilo que estar por vir no meu mundo.
Um acidente fatal gera dinheiro para os repórteres, talvez uma mudança brusca geraria a cima de mim um campo de nuvens, crescer não me cortaria, me deixaria somente mais próxima de mim mesma.

5 de setembro de 2009

Re-existir

E nós aqui. Tão cheios de si. Cheios de convicções e certezas do que está por vir. Coitados.
Deixamos o "eu ego" nos dominar, e em que isso nos enriquece, quais são os lucros de uma vida cheia de si? Se o próprio EU vai morrer a partir do momento que o coração não mais bater, a partir do momento que o cérebro parar. E a vida é algo tão frágil!
Mas tão tão frágil que inventaram um pedaço de ferro viajando a 400 km/h que arrasta essa vida em segundos. De novo me pergunto por que tanto ego-ísmo ? Se o que sobra de você mesmo é o que você deixou para as próximas pessoas, o que sobra de você mesmo é a parte que não foi para o seu EU maior.
Desde o momento em que encaramos o mundo como uma troca, de experiências, de lições, de conceitos, de sentimentos, percebemos que a grande questão está entre doar e se deixar levar pelo que o outro doa. A partir disso temos o surgimento das mais belas criações da natureza: o amor, a amizade, a paixão, a diversão, a família, a alegria, felicidade; pois de fato sozinhos não alcançamos nem 7% desses estados.
Desde o momento que vejo nas outras pessoas, não um pouco, mas muito de mim, passo a re-existir. E sem resistência começo a re-nascer. E renascendo a cada momento de troca não paramos de enriquecer, o nosso olhar, o nosso andar, as nossas reações perante as situações não muito agradáveis da vida.
Ideal da minha vida: re-existir em cada nova mudança gerada pelo mundo em mim.

10 de agosto de 2009

What can I say about myself

Tem algo novo no MUNDO.
Tudo MUDA no MUNDO a medida que MUDAmos o rumo. O rumo da fala.
Os pensamentos flutuam como nuvens. O que eu posso dizer sobre mim mesma?

Àquelas pessoas que dormem na rua, que gritam e respiram fundo, porque o mundo não tem perspectivas. Àquelas pessoas que seguem sem olhar para trás, e que acreditam nas suas escolhas como se essas fossem as últimas de suas vidas.

O que eu ia mesmo dizer sobre mim?

A todos que amam, beijam, choram, que abraçam apertado, que falam Bom Dia prolongando o último "A". Àqueles que amam suas famílias e que pedem algo pra Deus sem nem saber se ele existe pois o mais importante já existe, a fé.

Já disse que queria ser mil? Eu sou mil.

O que eu sinto tem a beleza da tristeza que só o nosso velho e imortal Vinicius sabe explicar. Não sei o que dizer.

Só sei que dedico TODA minha vida a essas pessoas que fazem, que ouvem e que me ensinam um pouco a mais sobre. Viver.

1 de agosto de 2009

PODE SER que o mundo esteja mesmo ao ponto de acabar. E que as pessoas já tenham perdido a noção da maquina que está por trás de tudo.
A ESSÊNCIA e a vida caminham juntas, amigas inseparáveis, confidentes, amantes. E me emociono em ver tudo aquilo que aflora com sua essência. Como aquele menino que me pediu dinheiro pra ganhar um brinquedo na pescaria da Festa Junina, ele me mostrava inteiramente que ele queria um brinquedo. Como o moço quase nu que entrou no banco 24horas, sujo, se encolheu em um canto e dormiu. Ele só queria dormir. Só.
E ao mesmo tempo que saio e vejo tantas pessoas. Que só são empurradas ou levadas pelos outros. Que não florecem dentro de si mesmas. Pessoas cruas, no mais cruel sentido da palavra, mas adimiro ver os seus momentâneos despertar de essência, pequenos flashes que brotam e que provam que todos somo no fundo feito dela. O que falta mesmo é descobrir. E deixar.
Grande parte da minha essência ainda está escondida nos emaranhados de meus pensamentos, eles infelizmente me dominam muitas vezes. Ainda não aprendi... mas espero estar aprendendo. De repente acredito ter mudado de idéia, talvez o mundo esteja só começando.