18 de setembro de 2009

Crescer

A cima de mim mesma o que vejo é um vasto campo inundado de grama alta e cortante, qualquer lado que cresce em mim encosta no campo, me arranha, me feri. Cada momento de alegria é causa de um de tristeza, pois a alegria mostra que a dúvida mora no prazer da alma. O que me faz completa?
Percebo que ando em um caminho para uma encruzilhada, o que fazer? Esquecer, evoluir até minha completa exaustão. Se meu mundo é preenchido de pensamentos, de miragens do que estar por vir, o que me resta é fazer tudo aquilo em que acredito, aquilo que me respira, que me sulga.
Tentando ir fundo em cada olhar.
Meu medo é deixar que tudo me leve de mais, e que a partir de um certo momento eu não possa mais escolher; medo de não ter escolha, tudo fruto da minha imaturidade.
Imaturidade que mata. Queria ter sessenta anos, ver o mundo como um mar de lembranças que vem e vão, andar cada passo calculado pela minha experiência, escolher cada caminho pela minha memória. Sessenta anos para olhar os jovens com apreciação, para adimirar seu brilho nos olhos fazendo o meu próprio brilhar. Sessenta anos para não mais ter que me decidir sobre o futuro dos meus próximos quarentas, pois tudo é uma consequência dos últimos quarenta já vividos.
Me faço velha querendo ser velha, mas me faço nova querendo fazer do brilho que sou o que serei. O mundo é mesmo feito de contradições, e melhor tê-las do que não tê-las.
Melhor aproveitar cada segundo dessa constante indiferença, buscando a maior das diferenças. Cada passo em busca do novo é uma nova sensação nunca antes vivida, o suspiro acalma a alma e o choro me faz pensar que o mundo pode ser melhor só com as minhas preces, o sono acalma os ânimos, e os sonhos trazem aquilo que estar por vir no meu mundo.
Um acidente fatal gera dinheiro para os repórteres, talvez uma mudança brusca geraria a cima de mim um campo de nuvens, crescer não me cortaria, me deixaria somente mais próxima de mim mesma.

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