18 de outubro de 2012
ROMA
9 de janeiro de 2012
Por esse incessante circular em torno de um ponto imaginário,
uma legião de leis de forças e estados a manter a tensão de tudo.
Apenas com a noção do que é isso, poderíamos sussurrar carinhos descontextualizados.
Vai que um dia as constantes gravitacionais resolvem ter vida própria e a
Terra desgovernada viajará o universo inteiro.
Cadê essa coisa que desfaz o que anda sendo repetido há milênios ??
Há cordas prendendo os planetas e é preciso cortá-las com nossas tecnológicas vontades.
E se parássemos de girar, o tempo continuaria? Ou tudo gira porque o tempo existe?
É circular é convicto é suplício geológico que perdura desde
a criação de uma malha de espaço e tempo.
A gente toda aqui dentro, intranquila, achando que consegue dar conta.
A gente toda existindo aqui nesse redondo e repetitivo invento.
Momento de achar o eixo.
Inverter as cabeças, as certezas. Hora de expandir as percepções
e apontar para a direção errada.
Já que a Terra não muda a rota, a gente se vira.
A gente se mata
4 de dezembro de 2011
Ansiedade
e de falar alto como se nada no mundo pudesse ouvi-la
um banho de rio uma cascata caindo sobre sua cabeça
21 de novembro de 2011
Limpa
As palavras andam escorregadias
passaram sabonete na intenção
de limpar as línguas.
Para que o povo se acostumasse
ao gosto azedo do detergente
Para uma limpeza urgente
Eles tentam disfarçar a cara
das nossas necessidades,
passam álcool em cada quina,
no vale das letras deixaram
acumular um pouco de desinfetante.
E a gente toda se engasga,
pouco a pouco,
a voz maior se estraga.
16 de novembro de 2011
o menino
É tanto murmúrio, e ele nem espanta
É tanta euforia em volta e ele canta e canta
A moçada achou que ele tocava lento
no laço dos corpos ele acalmou sussurrou
nas cordas, num toque que culminou
no fim dos tempos.
Era um bando de jovens
aturdidos pelo moço-dinheiro
que mandava em tudo,
eles cantavam com o garoto
mas eram um pouco surdos.
O barulho todo se reverteu pra fora
quando cantaram através da memória.
As palavras misturadas que ele oferecia
Ele não sofria (mas eu sofri tanto)
Ele não sofria, ele só fazia cada nota
como quem assopra pra dentro de si
abrindo as portas que existiam
na conciência das cervejas de garrafa
no pensamento das vodkas do bar
na gentileza das cachaças sensatas.
Ele só queria rir pra praça
Adimirar a chuva, a noite, as garças.
(eu sofria tanto)
14 de novembro de 2011
É pelo Grito
5 de novembro de 2011
Chuviscos
A chuva.
e úmida sob nossas narinas,
tanto que é ar e que agita
cogita e logo logo apita.
A chuva é mágoa de ar,
fazendo pirraça até virar nuvem.
E logo cansa de ficar pra lá e pra cá
até gritar pelo além, caindo sobre um mar
de possibilidades.
Árvores
cabeças
desigualdades
A chuva cai pra todo mundo.
A chuva é dessas que não escolhe o alvo,
só acerta e molha sendo fina, grossa ou algo
que só torna os egos um pouco mais calmos.