27 de julho de 2010

NOITE

ME APAIXONEI PELA NOITE

EM TROCA RECEBI BOCEJOS

SORRISOS OLHOS CONFISSÕES

APLAUSOS CORES


REVIVI NO SEU NEGRO, UM VAZIO

PELA MADRUGADA IRRESPONSÁVEL.

CONFESSO QUE TE PROCUREI

MAS NÃO ENCONTREI

ACHEI O OPOSTO DO ÓDIO

OS GRACEJOS DO AMOR

A BEBIDA SEMPRE INCORRUPTÍVEL

O LAÇO QUE PODE UNIR TODOS

EM UM FECHAR DE OLHOS


NÃO DORMIR É UMA BENÇÃO!

TORNA MAIS NOTÁVEL VIVER

DUPLICA O MUNDO

RENASCE O QUE ERA

SONHO


COMO SOMOS MESMOS PREGUIÇOSOS!

QUEREMOS DORMIR TANTO

SUFOCANDO O TEMPO MÁGICO

TEMPO QUE DURA UMA LUA INTEIRA

UMA MENINA BRINCANDO DE PERAMBULAR


SONHAMOS SER FORTES

ENFRENTAS OS RAIOS DE SOL

VER SOB A CLARIDADE

RESPIRAR DIA A DIA

PORÉM, O QUE SOMOS

MESMO É NOITE


ESCUROS, CALMOS E MOMENTÂNEOS.


22 de julho de 2010

INCONTROLÁVEL

Um constante de ultrapassagens e rotas perigosas Um medo incessante do futuro uma energia interminável pronta para agir sobre o impossível Ser único bivalente bipolar tricampeão despedaçado e espalhado pelos ambientes habitados do mundo

Iludir-se é completamente tangível e abominado por esse olfato visionário ensurdecedor Contraria a idéia de liberdade desperta a questão de ser uma sociedade Embrulha o estômago vomita empurra pra cima a dor Não entender o que somos é pior do que não entender o porquê de estar aqui Identidade infiel do apego vulnerável ao desprezo do outro Corroer da pele correndo pelo pescoço até o ouvido

Queima forte sentir-se incapaz de decidir mais do que já foi possível Arde incontrolavel a paz do cômodo tão indisciplinadamente parado branco ausente de vontade para continuar Ausente de atitude para compartilhar Alheio a qualquer sentimento humano que não supere o seu próprio sentimento de ser vivo sem poder desfrutar a liberdade que reside no entremundos emcimadomuro nomeiodocaminho Grudar-se ao que é insano soa mais comum mais atraente e mais acolhedor Agregar-se ao incompreensível pálido lado esquecido pelo mundo e por nós mesmos é um ideal poético e romântico

Não nos deixeis cair em tentação

8 de julho de 2010

Impasse

Eu decido gostar de ti
Tu decides gostar de mim
E assim ficamos
estáticos
cara a cara

Sem a coragem pra dizer qualquer palavra
Como se qualquer erro fosse desmanchar
Isso, agora, existindo

Te entendo e não me entendes
Um zig zag de olhares
em uma multidão insone
Quem é você?
Porque eu ainda não sei.

Vai!
Desliza teu olhar pra frente.
Vai!
Rompe a barreira do medo.
Gargalha, por favor!
Diz o que vier a cabeça
E acredita que estou disposta a ti!

Sei que meus versos
Não passam de papel,
Não saem do plano da palavra.
Virtual. Abstrato. Incompreensível.
Te peço ação,
embora tenha dado tinta.

O erro é deixar que ele nos guie,
Ele molda o nosso não agir
Mantém a vontade imune de um toque
Ele é maior que nós mesmos

O Impasse.
Impedindo que a gente nunca se ultrapasse
Porém, com o tempo
Vem a velha indiferença
E um novo menino a me olhar distante
Ele se aproxima, diz que podemos ser amantes.
Eu aceito.

E você?
O que foi?

26 de junho de 2010

Gatos

Ele deve pensar, por que ela passa tanto tempo em frente a esse retângulo luminoso? Ele me olha como se implorasse por vida. Ele está aqui, vivendo intensamente, tanto que cada pedaço de corda é como um parque de diversões, os papeis viram seus melhores amigos, qualquer movimento traz energia. Eu tenho inveja disso.
Eu devo pensar, por que ele consegue ser assim tão leve enquanto eu busco entreter-me com luzes cores e letras? Ele não precisa de cores, nem letras. Seu tempo é irrelevante. Eu concluo que não fui eu quem decidiu buscá-lo na casa de uns amigos, foi ele que decidiu me encantar com seu carinho por seres humanos.
Eu devo me perguntar, por que quando fixo em seus olhos ainda sinto mais forte esse surreal? Dos braços até as pernas me transporto com um pensamento. Tenho cinquenta e cinco quilos, e só preciso de pensamento pra me mover, e só preciso de vontade pra fazer minha matéria estática ser transiente.

O mais simples exemplo do encontro entre o abstrato e o concreto.

Ele é concreto e abstrato, posso ousar dizer, mais concreto do que abstrato.
Eu sou mais abstrata do que concreta, muitas vezes me esqueço do ser concreto.
Ele está aqui do meu lado me mostrando um outro caminho, um outro sentido, uma nova perspectiva.

E eu aqui me preocupando em concretizar minhas abstrações, pra me reafirmar através dessa tela.
Enquanto ele me concretiza todo um mundo.
Sem cores e nem ao menos uma palavra.

6 de junho de 2010

Somos assim, um constante de ultrapassagens e rotas perigosas. Essa poesia-música, como muitas outras, vem fechar um ciclo.
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Ser Humano


Confesso agora ter que falar
como se fosse uma solução pr'os meus anseios
Embora eu não consiga mais querer
Te vejo numa Humanidade
Um castigo para um crime que não desvendei

Essa força-mútua me constrói
Driblando um velho indício que me dói
Te vejo Humanidade imensa
Aquele vício virou uma lenda

Confesso ter que insistir
Em dizer que não o vejo como antes
Eu venho pra sorrir e te dizer
“Eu sei ultrapassar limites
Logo vou chegar tão alto quanto você.”

O tempo me mostrou

pra cada tempo existe um estado
um desejo, uma força, um motivo pra ficar acordado
existe um mundo pra criar, transferência de dados
A cada dia cada passo

Essa Humanidade Absurda
Habita-te
Habita-me
Se tornou um motivo pra sonhar e dizer:
“Eu posso superar etapas.
Logo vou ser tão concreta quanto você.”

Ser e ser: ser Humano.

16 de maio de 2010

Nova Família

Quando eu percebo que os amigos novos já viraram amigos antigos
E quando me encontro completamente à vontade em lugares como este
A toda volta alguém que conheci, se não conheci logo conhecerei
E se não conhecer sei que você é amigo de um amigo
Como uma tia do primo, que já chamo de tia

E quando eu percebo que posso sair por aí
Olhando amplo para o aflorar da Arte
Eu vou fitar a cantora, a atriz, o músico
Eu direi: “Ele é da minha família!”
Quando o show acabar
Trocaremos idéias, figurinhas, histórias
Cultura

Quando eu percebo que a essência da minha vida
Se encontra na vida de outros
eu re-afirmo, re-concluo,
Essa família há de crescer!
Um dia seremos só um!
Como um grande nó cego!
Algo que ninguém desfaz!
Nem mesmo um grande ego.

15 de maio de 2010

Como se suporta o cheiro?

Fico feliz em perceber o quanto as coisas podem ser dinâmicas, e quanto tudo me parece cada vez mais co-nectado, conecta-do, conec-tado. Isso poderia me gerar uma outra postagem, mas vamos parar por aqui e descobrir o que eu encontrei em cadernos do ano passado. Palavras que flutuavam a espera de alguns leitores e de algumas conclusões.

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Ela podia reproduzir o cheiro com seu próprio nariz, como se ainda pudesse estar lá. Era o calor e o suor que ocupavam aquele quarto escuro. Ela não tinha uma boa lembrança, na verdade, só lembrava o cheiro e nada mais. Por que estivera ali, ou quem suava, não eram perguntas com claras respostas.
Mesmo assim ela ia, ia. Aquele cheiro voltava em muito momentos para preencher o vazio ou sufocar o acúmulo. O excesso.
O cheiro começou a fazer parte de seu dia a dia, quando se sentia triste, lá estava ele. Quando se sentia feliz pudera ela seti-lo ao fundo, como uma canção sem notas, porém, sensações. A canção que só ela ouvia.
Encantada com a possibilidade de espalhar essa experiência, ela começou a espalhar pelos sete mares o que lhe passava. Quem sabe alguém pudesse ajudá-la a entender. Muitas pessoas, adimiradas, começaram a buscar esse tal fenômeno em suas vidas. Eles queria essa nova dimensão como lamentar com cheiro de ketchup! Beijar com cheiro de álcool! O caso virou tendência, moda. E todos passaram a ganhar cheiros em suas vidas, para cada momento um cheiro sem razão.

Quando, enfim, eles entenderam.

O cheiro é o rastro que eu deixo quando não entendo.
Quando o grito aumenta até arranhar a minha garganta
Quando não consigo mais pensar em nada.
O cheiro é a parte de mim que não quer ir embora
E implora pra eu, por favor, voltar para mim mesma
Se eu não quiser, que pelo menos eu seja forte o suficiente pra gritar e dizer:
"SAI!!"

Depois que descobriram, perceberam que o cheiro era um pedaço apodrecido de seu próprio corpo, ou o perfume que sem perceber usamos todos os dias. Esse cheiro, é o vício que querer encontrar no que é novo aquilo ao que já estamos acostumados a interpretar.
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